Ele era um postulante a autor,de cinema,livros,ou o que for que fosse,não interessa,ele gostava de criar estórias.
E estava sentado à mesa,debatendo com seus colegas o roteiro de um novo curta-metragem.Ele inegavelmente,já tinha feito muito por aquela estória,esmerado-se para que todos os problemas da trama fossem sumindo.Mas aquela discussão desanimava-o.Nela,percebia pessoas que ao não construír insistiam em atrasar o progresso a fim de se sentir úteis.Posso questionar esse roteiro,afinal somos colegas não é?essa pergunta o irritava,pois ele sentia que esse tipo de questionamento,levava a um caminho em que seu trabalho era destruído,e os seus colegas,poderíam se sentir úteis,como se fossem supervisores,intelectuais que pudessem dar um carimbo final a estória.
Em dado momento,a discussão se acirrou,ele sabia que alguns colegas tinham trabalhado tão árduamente quanto ele,e esses lutavam pela integridade do produto,mas ele entregou-se,já não via mais sentido naquilo tudo.Já tinha se convencido que seu trabalho iria inevitavelmente ser invadido e desvirtuado,portanto decidiu que fosse filmado como fosse,os senhores da terra de decidissem.
A partir daquele momento,ele,que era um dos mais ativos da discussão,se calou.A voz dele não era mais ouvida por ninguém,nem quando questionado.
Essa postura era um velho hábito do nosso autor,que pensava que em uma situação daquelas,ou se calava para "lavar as mãos",ou era discutir"a morrer!",ele preferia a primeira hipótese,pelo menos enquanto não fosse frontalmente cutucado,e dessa vez não foi.
Na sua infancia,o autor já mostrava essa postura como uma defesa,ele sentia-se isolado em inumeros momentos,ao seu entender,por ter um intelecto e compreensão do mundo exterior,superiores ás pessoas que com ele conviviam.
Seus progenitores lhe impuseram barreiras psicológicas terríveis para que não tentasse voar demais.Em boa parte da infancia ele realmente acreditou ser tão inferior ás outras pessoas quanto lhe foi proposto.
Mas chegou a época de ser adulto,e ele já tinha superado suas barreiras,apesar de admitir que elas ainda sim,tinham lhe instalado alguns tijolos mentais,que o atrasariam para o resto da vida,e que aliados a sua paranóia,lhe poriam dúvidas sobre temas com os quais ele deveria ter certeza.
E naquele momento em que ele desistiu do atual trabalho - pelo menos em parte - ele decidiu dar força a seus trabalhos paralelos,pois sabia que sua saga recem iniciara-se,e ele como bom desportista,nao aceitaria outro resultado,que não a vitória.
Estórias sicilianas.